O conceito e a ilusão do dinheiro

Crise FinanceiraCrise, Crise Crise. Deve ser a palavra mais usada em manchetes e noticias nos últimos tempos. Hora ela é Global, hora ela é localizada. Hora ela é culpa do governo, hora ela é culpa dos empresários. Hora ela é real, hora ela é imaginaria. Porém a base de qualquer uma dessas ‘horas’ da crise é a mesma: o dinheiro sumiu. Mas como o dinheiro pode sumir? Não se pode simplesmente ‘fabricar’ mais dinheiro?  Qual a origem do dinheiro e sua criação?

Sempre achei interessante a área de economia, as dinâmicas dos mercados, mas também sempre achei ela um pouco complicada, porém hoje encontrei no site Zerohedge.com um artigo que lida com a evolução do dinheiro, desde a sua criação até a sua movimentação atual, com as consequências sendo descritas. Aqui irei apenas fazer um simples resumo do artigo, mais como um exercício para a minha compreensão do que uma definição acadêmica do assunto, fundamentando meu conhecimento inicial para entender melhor o assunto e quem sabe também fazer o mesmo por você leit@r. Vamos lá.

O inicio: Trocas/escambo

Na evolução da raça humana os estudiosos marcam o fim da era dos nômades com o nosso domínio das técnicas de plantação e criação de animais, deixamos de ficar andando atras do nosso alimento e passamos a criar ele nós mesmos. Nessa época as comunidades eram totalmente auto suficientes: elas produziam tudo o que consumiam.

Porém com o passar do tempo e com o aumento das comunidades alguns notaram que era mais produzir batatas em um local do que em outro, e que esse segundo local produzia laranjas muito mais facilmente do que o primeiro. Então se um produtor de batatas queria laranjas, ele oferecia suas batatas para o produtor de laranjas e então uma troca era feita. Mas havia um porém.

O que aconteceria se o produtor de laranjas não tive-se interesse nas batatas? O produtor de batatas tinha apenas elas para oferecer, como proceder diante disso? Estava criada a lei da procura e oferta, a lei máxima que rege os mercados até hoje e que quando é desafiada causa muitos transtornos. Diante dessa situação as trocas comerciais evoluíram para a utilização de um item que tive-se valor para todos igualmente: nascia a noção de uma moeda de valor.

A era da moeda do valor de uso.

Agora o produtor de batatas iria trocar sua produção por uma das primeiras moedas de valor: sal. O sal era fácil de ser carregado, era reconhecido como útil por todos, podia ser estocado com maior facilidade e por maior tempo que outros produtos e além de poder ser utilizado como moeda de valor também podia ser consumido, ou seja tinha valor e também utilidade.

Me recordo levemente de ter aprendido no Beakman ou no meu livro de historia que a palavra salario vem justamente da utilização pelo império romano do sal como meio de pagamento dos seus soldados.

A era da moeda preciosa

Após a utilização do Sal, nossos antepassados evoluíram para a utilização de metais preciosos, tais como o ouro e a prata, que eram práticos pois: podiam ser divididos e reagrupados com pouco trabalho, eram raros logo uma pequena quantidade tinha um alto valor e não o estragavam facilmente, o ouro não se decompõe ou enferruja. Nascia assim o dinheiro

As funções do dinheiro:

O dinheiro em si tem três funções básicas:

  • Ser um meio de troca;

  • Manter um valor;

  • Ser uma unidade contábil;

A utilização do dinheiro deu um grande impulso na riqueza global por facilitar as trocas, porém é importante ressaltar que o dinheiro em si depende da confiança das pessoas para ter valor, pois uma nota ou moeda não tem valor “REAL” de uso, não pode ser comida ou transformada em algo de valor útil facilmente, pois o dinheiro não é em si o objetivo final de uma transação, mas sim o produto ou serviço por ela pago. Moedas de prata ou ouro não tem mais seu valor como “dinheiro” mas sim pelo material que são compostas ou seu valor histórico.

A era do dinheiro “fiat

Não, não tem nada a ver com a fabricante do UNO, mas sim do termo em latim “fiat” que significa: que assim deva ser, que assim seja. O que isso significa para o dinheiro? Significa que o valor dele é definido pelo governo, através de Leis ou acordos comerciais. Isso acontecia quando da utilização do cambio fixo, onde o governo dizia que 1 Real era igual a 1 Dólar. Isso só dura enquanto essa realidade for ‘crível’ por parte do mercado, do contrario com o passar do tempo a pressão faz com que o governo ceda e liberte o cambio, o que faz a cotação do Real variar frente ao Dólar conforme a confiança do mercado no Brasil muda: o país tem um futuro brilhante? Dale valorizar do Real; o país tem um futuro meio negro? Dale valorizar o Dólar.

Outra aplicação do dinheiro “fiat” é que anteriormente uma cédula, moeda ou outra forma de dinheiro era equivalente a uma porção do tesouro do pais, normalmente guardado em ouro, porém após a adoção do conceito “fiat” essa equivalência parou de existir, levando a possibilidade dos países simplesmente imprimirem quanto dinheiro precisem (inflação oi?) ou então a invenção do dinheiro digital, onde basta o apertar de algumas teclas e boom, mais um milhão injetado na economia aqui ou ali. Antes tínhamos produtores de bens reais, que podiam ser utilizados ou consumidos, hoje temos verdadeiros produtores de dinheiro: os bancos centrais. Porém lembrando que não podemos consumir reais, dólares, centavos, moedas comemorativas ou bitcoins.

O sistema bancário e a ilusão do dinheiro

Uma rápida historia da origem dos bancos: na época em que o ouro era utilizado como uma moeda de troca, as pessoas em vez de ficar andando com ouro “pesado” por ai, deixavam esse ouro guardado em “blacksmiths” os ferreiros da época. Estes em troca pelo ouro guardado entregavam para as pessoas comprovantes de depósitos, e eram esses comprovantes de deposito que as pessoas usavam para fazer suas compras (foi assim que o papel moeda nasceu). Porém alguns ferreiros espertinhos perceberam que raramente esses comprovantes voltavam para eles em troca de ouro que estavam simplesmente ocupando espaço em seus cofres, as pessoas simplesmente preferiam usar os papeis, diante disso eles começaram a emitir mais comprovantes do que eles REALMENTE tinham de ouro em seus cofres em forma de empréstimos que seriam pagos com ‘amigáveis’ taxas de juros. O risco era que se todos os clientes viessem retirar o seu ouro, eles simplesmente não teriam o suficiente para todos e assim eles iriam falir e muitos dos seus clientes não veriam mais o seu ouro.

Ai você lê isso e pensa: nossa que sacanagem, claro que alguém ou algum governo descobriu isso e parou com essa farra…. só que não. Na verdade ocorreu o oposto.

Os Governos perceberam que isso era uma boa ideia (+LUCRO!) e regulamentaram a pratica, no artigo original eles trazem uma parte de uma leia do Reino Unido datada de 1848 (!!!) que deixa bem claro que após você colocar o seu dinheiro no banco ele deixa de ser seu, ele passa a ser do banco e pode ser usado da forma como o mesmo bem entender. No Brasil eu encontrei um artigo da Wikipédia que demonstra bem como funciona esse modelo aqui, e tem um exemplo legal com números, mostrando que os 100 “reais” que você depositar no banco geram 90 “reais” em media que o banco pode emprestar para outra pessoa, e assim sucessivamente. Lembrando que os seus 100 “reais” continuam na sua conta, porém pela lei o banco pode “criar” outros 90 “reais” para ele emprestar para outra pessoa, e desses 90 “reais” gerados a partir do seu dinheiro, ele poderá gerar outros 81 “reais” e assim sucessivamente.

Lembra da parte em que se “todo” mundo saca-se o seu dinheiro ao mesmo tempo os ferreiros iriam quebrar? Quando eu trabalhei na área bancaria, uma vez uma gerente me disse que bastava UM cliente corporativo querer sacar todo o seu dinheiro o banco que ele iria quebrar, foi ai que nasceu minha curiosidade sobre o tema.

Henry Ford já dizia que se a população em geral soube-se como os bancos lidam realmente com seu dinheiro haveria uma revolução em escala global e segundo o artigo original menos do que 10% do valor financeiro total do mundo é realmente de dinheiro, com os outro 90% sendo composto pro credito criado em cima dos 10%. Qual a motivação para manter um esquema desses que claramente torna os bancos intangíveis caso seus clientes realmente precisem do dinheiro? A remuneração dos juros em cima dos empréstimos. Que não vão para os clientes que colocam seu dinheiro no banco, mas sim para os banqueiros, então enquanto o Banco paga 0,5% ao mês para o valor que você tem na poupança, ele esta cobrando 10% ou mais de juros em outros empréstimos e embolsando a diferença.

Diante disso alguns diriam que é melhor gastar todo o dinheiro em vez de deixar ele no banco, quando na verdade o correto é evitarmos pegar empréstimos, controlando melhor nosso dinheiro e deixando de pagarmos juros pelo cheque especial, empréstimos pessoais, financiamentos e cartão de credito. Aprendendo as leis do jogo as coisas ficam mais fáceis, e é melhor receber os 0,5% da poupança do que pagar os mais de 10% do rotativo do cartão de credito.

Fontes:

Zerohedge: The Concept Of Money And The Money Illusion. Por Tyler Durden. Disponivel em: http://www.zerohedge.com/news/2015-09-05/concept-money-and-money-illusion. Acesso em: 13/09/2015.

Wikipedia: Depósito compulsório. Disponivel em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dep%C3%B3sito_compuls%C3%B3rio. Acesso em 13/09/2015.

 

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